O recente agravamento das tensões no Golfo Pérsico e o bloqueio do Estreito de Ormuz trouxeram à tona um alerta estratégico para o Brasil: a forte dependência externa de insumos essenciais à produção agrícola. Atualmente, quase metade da ureia — principal fertilizante nitrogenado utilizado no país — chega ao território nacional por rotas que passam pelo Oriente Médio, tornando o abastecimento vulnerável a crises geopolíticas.

Com a elevação do preço do gás natural, matéria-prima fundamental na produção de fertilizantes, o impacto já se reflete no custo de produção agrícola e pode comprometer a segurança alimentar. Diante desse cenário, iniciativas científicas nacionais ganham ainda mais relevância.

Na COPPE/UFRJ, pesquisadores vêm desenvolvendo soluções inovadoras para reduzir essa dependência. No Laboratório de Desenvolvimento de Softwares para Otimização e Controle de Processos (LADES), vinculado ao Programa de Engenharia Química (PEQ), os professores Argimiro Secchi (PEQ/COPPE/UFRJ) e Príamo Melo (PEQ/COPPE/UFRJ) têm consolidado rotas tecnológicas que substituem o uso de gás natural importado por resíduos urbanos, lixo orgânico e biogás.

A proposta representa um avanço estratégico ao oferecer uma alternativa nacional capaz de blindar o país contra instabilidades internacionais, garantindo maior previsibilidade no fornecimento de fertilizantes. Além disso, a tecnologia apresenta ganhos ambientais significativos: enquanto a produção convencional de ureia emite cerca de uma tonelada de CO₂ para cada tonelada produzida, o modelo desenvolvido na UFRJ promove a descarbonização do processo, transformando resíduos em insumos de alto valor agregado.

Outro diferencial está na viabilidade econômica. Estudos indicam que a produção baseada em resíduos é competitiva, especialmente em cidades com população superior a 600 mil habitantes, ampliando o potencial de aplicação em larga escala no território brasileiro.

A relevância da pesquisa já ultrapassa fronteiras, tendo sido destaque internacional, incluindo apresentação na Darsh Wasan Lecture, nos Estados Unidos. A iniciativa também será fortalecida com a implantação do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), no Parque Tecnológico da UFRJ, consolidando o Brasil como protagonista no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor.

Em um contexto global marcado por incertezas, a ciência brasileira reafirma seu papel estratégico ao propor caminhos inovadores para garantir segurança alimentar, soberania tecnológica e sustentabilidade ambiental.

Fonte: COPPE UFRJ

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